Zero defende exclusão de óleo de palma da diretiva das renováveis

A associação ambientalista Zero não concorda com a posição de Portugal de aceitar a utilização de óleo de palma na produção de biocombustíveis e quer que defenda a sua exclusão da diretiva das energias renováveis.

De acordo com a Zero, no âmbito da revisão da Diretiva das Energias Renováveis e que definirá as linhas de atuação da União Europeia (UE) em matéria de renováveis até 2030, Portugal não apoia a proposta do Parlamento Europeu que visa excluir em 2021 os biocombustíveis produzidos a partir de óleo de palma da contabilização da energia oriunda de fontes renováveis para o cumprimento das metas de energias renováveis.

As importações de óleo de palma para a UE receberam um grande impulso devido ao preço barato no mercado e ao facto da UE nunca ter adotado padrões dignos de sustentabilidade. Entre 2008 e 2015, praticamente todo o crescimento na produção de biodiesel, a nível europeu, tem sido feito à custa da utilização de óleo de palma, com um aumento de 600%. Atualmente, o óleo de palma representa cerca de um terço do biodiesel produzido na EU, informa a associação ambientalista em comunicado.

Contudo, os impactos ambientais devido à produção de óleo de palma são devastadores. Na Malásia e Indonésia, as florestas primárias foram cortadas, as zonas húmidas drenadas, e os povos dependentes dessas florestas foram deslocados ou expulsos das suas terras de forma ilegal, para a instalação de grandes áreas que permitam suprir uma procura crescente por óleo de palma. Entretanto, o principal motor para a promoção de biocombustíveis a partir de culturas alimentares caiu por terra: do ponto de vista climático, o biodiesel de óleo de palma não promove reduções nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), dado que contabilizando as emissões associadas às alterações indiretas de uso do solo (ILUC, da sigla em inglês) devido à destruição da floresta tropical e à drenagem de zonas húmidas para novas áreas de cultivo, as emissões em todo o ciclo de vida do biodiesel são três vezes mais prejudiciais do que as emissões do gasóleo de origem fóssil que ele pretende substituir.

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