Investir em energia solar pode custar 8 vezes menos do que em centrais térmicas

Quem o diz é a WWF Brasil, uma organização não-governamental que propõe um programa de transição da eletricidade térmica para fotovoltaica em 5 anos. Este estudo, motivado pela crise hídrica que tem afetado o Brasil desde 2012 e que acabou por se traduzir numa contratação de 40 TWh/ano de energia térmica fóssil mostra que, com um programa robusto de transição acelerada das fontes fósseis para a solar fotovoltaica é possível, em 5 anos, colmatar os 40 TWh/ano de origem fóssil por geração de energia solar distribuída. Para tal, seriam usados os mesmos incentivos financeiros que têm sido aplicados em termoelétricas nos últimos anos. Estes valores comprovam a dependência do Brasil em centrais hidroelétricas e térmicas fósseis que acabaram por se traduzir num aumento da tarifa energética em 6 meses de mais de 50%. Assim, há claramente uma necessidade em diversificar a matriz elétrica brasileira e fomentar uma nova economia verde capaz de produzir energia limpa e de uma microgeração descentralizada e que também confira maior segurança ao setor energético brasileiro.

Assim o estudo “Mecanismos de Suporte para Inserção da Energia Solar Fotovoltaica na Matriz Elétrica Brasileira: modelos e sugestão para uma transição acelerada” baseado em trabalhos académicos da Universidade de Brasília, divide-se em duas partes: apresenta um panorama da concessão de incentivos para a geração de energia fotovoltaica em vários países do mundo particularizando o caso brasileiro; e organiza parte de uma previsão da distribuição de futuras instalações de geradores fotovoltaicos do seu território sugerindo o uso de parte dos recursos públicos alocados para a compra de energia térmica fóssil para a consolidação da fonte fotovoltaica demonstrando que a necessidade energética adicional em termoelétricas fósseis pode ser preenchida com energia solar. Este estudo é lançado quando Dilma Rousseff faz um anúncio acerca da meta brasileira de emissão de gases de efeito estufa com vista à COP de Paris. A proposta económica apresentada defende que a energia solar fotovoltaica será oito vezes mais barata que a térmica-fóssil o que, ao fim de 5 anos irá gerar uma economia de quase R$ 150 biliões (cerca de 32 500 milhões de euros) de recursos para um horizonte de 20 anos e aumentará a participação da energia solar na matriz nacional em 7% (atualmente é de apenas 0,01%). Além disso, se o mercado conseguir aplicar juros até 6% ao ano, a geração distribuída terá um crescimento exponencial, visto que não há previsão para uma redução no custo da energia para os próximos anos. Assim, numa residência, por exemplo, se o proprietário quiser produzir sua própria energia, o custo do financiamento do sistema pode ser o mesmo do que seria pago na fatura de energia convencional. Além disso, no caso de ultrapassar as suas necessidades pode injetar a energia excedente na rede da distribuidora e ter desconto na sua fatura. Dado que a geração passa a ocorrer próximo do local de consumo há também uma possível redução nos custos de transmissão energética. Apesar de tudo, a substituição da energia termoelétrica pela fotovoltaica ainda enfrenta o entrave da falta de financiamento no país. Segundo Nahur, “países que estão fazendo a transição, como Alemanha, Japão, e Itália, têm linhas de financiamento diferenciadas para a energia de base solar a cerca de 6% ao ano. Já no Brasil, o crédito para essa finalidade é pequeno e destinado a grandes projetos”.

Ivan Nascimento
FEUP