Produzir combustíveis renováveis a partir da cortiça

O projeto H2Cork do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da Universidade de Aveiro (UA), com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) e o PROcédés – Matériaux et Énergie Solaire (PROMES), em França, produziram combustíveis renováveis através da cortiça e retiraram dióxido de carbono da atmosfera. A equipa de investigadores do CICECO/UA envolvida no projeto H2Cork, inclui Robert Pullar, Rui Novais e Ana Caetano.

Com o objetivo é produzir combustíveis renováveis, mais concretamente, o hidrogénio, uma equipa de investigadores do CICECO criou um material – ecocerâmicas de cério à base de cortiça – utilizado como catalisador para a separação do dióxido de carbono utilizando apenas luz solar concentrada. As ecocerâmicas apresentam uma estrutura alveolar que replica a estrutura da cortiça que serve de molde. A cortiça é sujeita a pirólise, ou seja, decomposição através de alta temperatura e ausência de oxigénio, formando-se uma estrutura de carbono posteriormente infiltrada com uma solução cerâmica gerando, após um ciclo térmico, um catalisador cerâmico de óxido de cério (CeO2). Este material muito leve e poroso pode então ser utilizado como catalisador para a produção de combustíveis renováveis através da ação do sol (que promove a redução da cério a temperaturas próximas de 1400 ºC, só possível em equipamentos especiais, como o do PROMES). A posterior oxidação deste material, que pode ser obtida pela injeção de CO2, permite separar o CO2 em monóxido de carbono e oxigénio, os quais podem ser usados para a produção de combustíveis renováveis. No caso da injeção com vapor de água, este método permite obter hidrogénio e oxigénio, sendo o hidrogénio, como se sabe, um combustível renovável.