Governo planeia construção de central gigante de hidrogénio verde em Sines

Portugal e Holanda estão a negociar um consórcio que irá instalar uma unidade de produção de hidrogénio “verde alimentado a energia solar em Sines. Esta central, com um custo de 600 milhões de euros, terá capacidade para alimentar uma frota de autocarros e camiões que percorram 800 milhões de quilómetros por ano – com 27 vezes mais energia do que uma frota do tamanho da Carris consome (percorre cerca de 29 milhões de kms anualmente).

João Galamba, Secretário de Estado da Energia, revelou a novidade explicando que aquilo que nascerá em Sines é um parque fotovoltaico com 1 Gigawatt em versão autoconsumo, que baixa ainda os custos de produção de eletricidade porque tem isenções de tarifas de acesso à rede. O estado tem terrenos públicos em Sines que só podem ser utilizados em projetos industriais, o que pode ser um fator importante para baixar os custos de produção do hidrogénio e depois atrair grandes empresas nacionais para este projeto, empresas da área do gás e da logística e transportes. Podemos dizer aos países do norte da Europa que necessitam de hidrogénio que temos algo que o centro e o norte da Europa não tem que é capacidade de produzir eletricidade aos custos que tornam o hidrogénio viável.”

O que é necessário fazer agora, portanto, émontar um consórcio industrial de grande escala mostrando que Sines, que está tradicionalmente ligada a energias fósseis, pode migrar e até valorizar o porto de Sines como entreposto exportador de hidrogénio Verde, o que é uma mais-valia para o porto. Este consórcio permitiria dar acesso a fundos para Projetos Comuns Importantes de Interesse Europeu (IPCEI, na sigla em inglês). A unidade de Sines, com 1 Gigawatt no reator de eletrólise, se trabalhar 8 mil horas por ano e usar 1,5 metros cúbicos de água pode produzir 160 milhões de quilos de hidrogénio.