Garantir o presente – Produtos petrolíferos
O índice do trilema energético mundial do World Energy Council (WECouncil) foca a resiliência do sistema energético na capacidade de refinação e armazenagem de petróleo, produtos petrolíferos e gás natural.
Os últimos relatórios do WECouncil demonstram que a capacidade de armazenagem em Portugal sofreu uma melhoria de 14,6%, progredindo de 51% em 2010 para 65,6% em 2020. Esta capacidade demonstra a flexibilidade do sistema energético nacional em garantir o abastecimento de petróleo, produtos petrolíferos e gás natural face ao seu consumo. Mantendo-se a capacidade atual, a expectável redução no consumo de combustíveis fósseis durante os próximos 30 anos, resultante do esforço para atingir a neutralidade climática, permitirá garantir uma maior resiliência e uma melhor gestão do Sistema Petrolífero Nacional (SPN) e Sistema Nacional de Gás (SNG).
As associadas da Apetro – Energia em Evolução, como empresas com maior representatividade na comercialização grossista e no retalho de produtos petrolíferos, são também as detentoras das grandes instalações que asseguram a sua logística, através dos terminais de granéis líquidos, das instalações de armazenagem e expedição e dos oleodutos. No entanto, a transição energética trará novos desafios, tornando-se essencial diversificar vetores energéticos sem descuidar a segurança de abastecimento destes produtos já existentes.
Neste sentido, as reservas estratégicas desempenham um papel crucial na garantia da estabilidade e segurança energética, garantindo que não ocorrem disrupções em momentos de conflitos, tensões ou interrupções no fornecimento global de energia.
Enquanto as reservas de petróleo bruto e produtos petrolíferos (gasolina, gasóleo, GPL e fuelóleo) estão garantidas através de tickets e armazenadas fisicamente em seis instalações em Portugal, correspondente a um total de 938 kton de produtos no 4,° trimestre de 2022 de acordo com os dados da ENSE, as reservas de gás natural estão localizadas essencialmente nas cavidades subterrâneas do Carriço e nas instalações do terminal de Gás Natural Liquefeito de Sines.
Segundo a ENSE, em caso de crise energética, as reservas de petróleo bruto e/ou produtos petrolíferos devem garantir o funcionamento da economia nacional em autonomia durante 90 dias sem necessidade de importação ou refinação adicional, ou seja, o equivalente a 90 dias de importações líquidas diárias. No caso do gás natural, devido à recente crise energética, em 2022, foi fixada uma quantidade global mínima de reservas de segurança de gás, que corresponde a 45 dias de consumo médio anual dos clientes protegidos e 16 dias de consumo equivalente à capacidade máxima das centrais de ciclo não interruptíveis.
Ana Rita Gomes
Energy Policy Analyst @ Apetro
Board Member @ Future Energy Leaders Portugal
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