a importância do armazenamento na transição energética

A importância do armazenamento na transição energética

Portugal enfrenta vários desafios para cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris de 20161 para a mitigação das alterações climáticas até meados do presente século. Essas metas requerem a redução das emissões antropogénicas, decorrentes do nosso estilo de vida e do desenvolvimento tecnológico, acumuladas, sobretudo, desde o final do século XIX.

Portugal assumiu um conjunto de compromissos e estabeleceu metas para atingir o objetivo europeu de neutralidade carbónica da economia em 2050 através do recurso a fontes renováveis de energia. Face à sua posição geográfica e às políticas adotadas, Portugal apresenta-se com uma vantagem competitiva para se posicionar na liderança deste processo de transição energética, tendo anunciado a ambição de alcançar a neutralidade carbónica já em 2045.

Uma questão amplamente reconhecida prende-se com a necessidade da descarbonização do setor da energia, que é um dos principais emissores de gases com efeitos de estufa (GEE), substituindo gradualmente as fontes de energia fósseis. Isto tem sido feito pela crescente implementação de tecnologias de produção de eletricidade de origem renovável, utilizando fontes como a água, o vento e o sol, sendo que o caráter intermitente e variável destas fontes constitui um desafio significativo.

Nesse sentido, as tecnologias de armazenamento energético permitem responder à necessidade de potência firme de origem renovável, armazenando a energia em excesso gerada em períodos de elevada produção e disponibilizando-a em períodos de elevada procura ou de baixa produção. A União Europeia (UE) tem vindo a desenvolver vários instrumentos e iniciativas relativamente ao armazenamento de energia, como parte dos seus propósitos mais amplos em matéria de energia e clima. Entre elas, destacam-se a estratégia da UE para a integração do sistema energético e a Estratégia Europeia para o Hidrogénio, medidas como a revisão da Diretiva das Energias Renováveis no âmbito do pacote “Fit for 55”, o pacote do mercado do Hidrogénio e dos Gases Descarbonizados, o plano o REPowerEU e, mais recentemente, a revisão do desenho do mercado da eletricidade.

A Comissão Europeia publicou recentemente uma série de recomendações sobre o armazenamento de energia, incluindo ações que os Estados-Membros podem realizar para garantir e acelerar a sua implementação. A análise demonstrou que o armazenamento é fundamental para a descarbonização do sistema energético da EU, ao permitir que o excesso de eletricidade seja armazenado em grande quantidade e utilizado, posteriormente, quando necessário, o armazenamento potencia a penetração de energia de fontes renováveis no sistema, proporciona estabilidade à rede, permite uma maior flexibilidade e, não menos importante, uma utilização mais eficiente da energia.

Madalena Coelho Rocha, Nevin Alija, Bruno Henrique Santos
Future Energy Leaders Portugal / Associação Portuguesa da Energia

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