Fazendo uma análise global, o consumo de energia do setor doméstico em 2021 foi praticamente idêntico ao ano da pandemia (2020) e 3,8% superior ao ano pré-pandémico (2019). Por outro lado, o consumo do setor dos serviços registou em 2021 um aumento de 3,7% em relação a 2020 e uma redução de 8,1% face a 2019.
Comparação do Consumo no Setor Doméstico com o dos Serviços
Através da Figura 1, que representa a trajetória dos consumos de energia relativos aos setores doméstico e serviços registados no triénio, ao nível do setor doméstico, observa-se uma subida do consumo de 2019 para 2020 em cerca de 4% e de 2020 para 2021, uma descida inexpressiva, de 0,2%.
Ao comparar o ano 2021 com o ano 2019, o aumento foi de 3,8%. Isto significa que a semelhança dos valores de 2020 e de 2021 e o não retorno ao valor de 2019, expressa uma nova realidade no que respeita ao consumo de energia das famílias nas suas residências. Esta estabilidade do consumo, resulta do regime laboral híbrido em vigor, o qual permite aos cidadãos trabalharem alternadamente em regime presencial ou em teletrabalho. Enquanto se mantiver este regime, é natural que o consumo do setor doméstico seja sempre superior ao do ano da pré-pandemia, uma vez que haverá maior consumo de energia das famílias nas suas casas (eletricidade, gás natural, GPL e biomassa).

Por outro lado, o setor do comércio e serviços, registou, como se observa na Figura 1, uma forte descida do consumo de 2019 para 2020, cerca de 11,4% e de 2020 para 2021, um aumento de 3,7%. Quando se compara o ano 2021 face a 2019, a queda foi de 8,1%. Em termos de consumo de energia, poder-se-á afirmar que este setor ainda não recuperou dos efeitos da pandemia. De facto, apesar do aumento do consumo de 2020 para 2021, a verdade é que o valor do consumo do ano pós-pandemia ainda está longe do valor do ano da pré-pandemia.
Setor do Comércio e Serviços ao detalhe
O setor do comércio e serviços abrange inúmeras atividades económicas. Sem prejuízo de outras atividades deste setor, selecionámos quatro, que de algum modo são as mais utilizadas pelos cidadãos no seu dia-a-dia, como sejam, o comércio, o alojamento, a restauração e os serviços públicos.

Na Figura 2, que representa a variação do consumo de eletricidade face a 2019, destaca-se a elevada queda no consumo de eletricidade, com exceção para as atividades do comércio a retalho. Em 2021 e comparativamente a 2019, houve recuperação nas atividades de alojamento e no comércio a retalho, e um “agravamento” na restauração e nos serviços da administração pública. Este “agravamento” poderá dever-se simultaneamente à mudança de hábitos dos cidadãos e ao regime laboral híbrido vigente, levando a que muitos cidadãos tenham passado a frequentar menos os restaurantes. No caso da administração pública, conjugando a atual vigência do regime laboral híbrido (menor presença de funcionários públicos nos seus locais de trabalho) com a crescente informatização dos serviços públicos, é natural que o consumo de eletricidade da administração pública tenda a diminuir.
No caso do gás natural (Figura 3), também os valores apresentados são bem elucidativos, isto é, o ano de 2021 recuperou em todos os setores selecionados, mas mesmo assim, ainda muito aquém dos consumos registados em 2019.

Num balanço global, a manterem-se os hábitos atuais dos cidadãos, a vigorar a legislação laboral no que respeita aos regimes de teletrabalho, a contínua modernização dos serviços da administração pública, como sejam a informatização e digitalização, e sem esquecer a melhoria da eficiência energética dos edifícios do estado, o consumo de energia na parte das atividades identificadas no presente artigo relativo ao setor dos serviços tenderá a manter-se para os valores pós-pandemia ou até diminuir.
Por outro lado, é expectável que haja também uma certa estabilização do consumo de energia no setor doméstico (sempre mais altos que os valores da pré-pandemia), uma vez que absorveu parte do consumo do setor dos serviços, nomeadamente na restauração, para além do consumo adicional de eletricidade associado ao regime de teletrabalho.
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