A janela para reduzir emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e evitar impactos irreversíveis está a fechar e o setor empresarial tem um papel decisivo: pelo seu peso nas emissões, pela capacidade de inovação e pela influência sobre as suas cadeias de valor. Além de contribuir para a mitigação das alterações climáticas, a descarbonização traduz-se em eficiência e redução de custos, resposta a exigências de consumidores, investidores e reguladores, acesso a financiamento sustentável e reforço de competitividade e reputação. Conhecer e reduzir as emissões já não é uma opção – é uma necessidade, uma responsabilidade e um compromisso.
Primeiro, temos de medir para poder gerir. Calcular a pegada de carbono dos âmbitos 1, 2 e 3 – emissões diretas das operações, emissões indiretas associadas à energia comprada e emissões indiretas ao longo da cadeia de valor – dá-nos uma fotografia fiável do ponto de partida. Sem esta base, metas e investimentos arriscam-se a ser ineficazes. Adotar metodologias reconhecidas (como o Greenhouse Gas Protocol), e assegurar a qualidade dos dados (faturas, consumos, fatores de emissão) e dos cálculos é essencial – atualmente facilitado com apoio da tecnologia.
Com o diagnóstico em mão, definem-se metas SMART de redução, com prazos claros e em linha com a ciência (ex: SBTi – Science Based Targets Initiative) – é importante sermos realistas, não descurando a ambição.
Depois, passa-se à ação, focando as alavancas com maior impacto e controlo direto:
- Eficiência energética: gestão técnica centralizada, otimização de AVAC – Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado, iluminação LED, isolamento e manutenção preventiva;
- Eletrificação de usos finais: substituir caldeiras por bombas de calor e converter processos térmicos sempre que viável;
- Energia renovável: autoconsumo renovável (fotovoltaico, biomassa, gases renováveis), contratos de eletricidade com Garantias de Origem;
- Operações e mobilidade: logística inteligente, ecocondução/telemetria e renovação de frota para baixas emissões.
O âmbito 3 é relevante e, em muitos setores, dominante, apesar da dificuldade em gerir. Contudo, numa fase inicial, é crucial conhecer e reduzir âmbitos 1 e 2 com rigor, criando competências, processos e governança que permitam, posteriormente, alargar a ambição ao âmbito 3 de forma faseada, onde todos se interligam. Os ganhos são tangíveis: menos custos, menor exposição a riscos regulatórios, acesso a financiamento competitivo e preferência de clientes.
Como resposta a esta necessidade, o BCSD Portugal e a Get2C criaram uma formação que apoia as empresas no cálculo robusto da pegada de carbono, no desenho de roadmaps de descarbonização e na capacitação de equipas. A hora de passara à ação: medir, reduzir, envolver pessoas e comunicar com rigor as suas metas de descarbonização e a sua agenda para a sustentabilidade. Assim, num exigente contexto para relatórios transparentes, é necessário acelerarmos para uma economia de baixo carbono, verdadeiramente justa e inclusiva.
Maria Sousa Martins, Gestora de Conhecimento e Formação, BCSD Portugal
Jorge Cristino, Partner, Get2C
