A informação da presente edição (Energia em números 2024) refere-se ao ano de 2022 e anteriores, e, quando disponível, também a 2023. Vamos conhecer um pouco melhor a evolução de alguns dos grandes números e indicadores energéticos que constam desta publicação.
Dependência energética
A diminuição da dependência energética é um dos principais objetivos da política energética nacional, estando estabelecida a meta de 65% em 2030 no Plano Nacional Energia Clima (PNEC 2030).
Em 2022, a dependência energética situou-se em 71,2% (4,1 p.p. acima de 2021, mas 8,2 p.p. abaixo de 2012).
O agravamento da dependência energética registado em 2022 em relação ao ano anterior, foi devido não apenas ao aumento das importações dos refinados do petróleo, mas, também, ao significativo aumento de importações de eletricidade (mais 51%).
Na União Europeia, Portugal foi o 12.º país com a maior dependência energética, cerca de 8,8 p.p. acima do valor da média da UE-27, que foi de 62,5%.

Quota das energias renováveis no setor da eletricidade
Em 2022, 61% da produção bruta de eletricidade teve origem nas fontes de energias renováveis, mais 2,6 p.p. relativamente a 2021 e mais 13,5 p.p. em relação a 2012. O aumento da incorporação de fontes de energia renováveis na produção de eletricidade é também um dos principais objetivos da política energética nacional, estando estabelecida a meta de 85% em 2030, na atual revisão do PNEC 2030.
Na União Europeia, Portugal foi o 4.º país com maior incorporação de energias renováveis na produção de eletricidade.

Potência instalada renovável
Ao longo dos últimos anos tem-se registado uma aposta contínua na utilização de fontes de energia renováveis, atestada pelo aumento consistente da potência instalada deste tipo de fontes, nomeadamente de energia hídrica, eólica, biomassa, solar fotovoltaica e geotérmica.
Em 2023, Portugal tinha uma potência instalada renovável de 18,7 GW, mais 7,4% em relação a 2022 e mais 69,5% relativamente a 2012. Em 2023, a potência instalada renovável representava 76% da potência total instalada para produção de energia elétrica, enquanto em 2012 representava 54%.

A tecnologia que mais cresceu entre 2012 e 2023, foi a tecnologia solar fotovoltaica que aumentou quase 16 vezes, atingindo em 2023 o valor de 3,9 GW. Em 2012, o fotovoltaico representava 2,2% do total da potência instalada renovável, enquanto, em 2023, atingia o valor de 21%.
A revisão do PNEC 2030 estabelece, no horizonte 2030, uma potência instalada renovável de 36 GW, e particularmente para o solar fotovoltaico, um total (centralizado + descentralizado) de 13,2 GW.
Consumo de energia
O consumo final energético tem recuperado após a pandemia, atingindo o valor de 16 274 ktep em 2022. Este valor representa aumentos de 2,8% face a 2021, e de 6,2% em relação a 2012, mesmo assim, ainda inferior em cerca de 0,4% face a 2019, último ano antes da pandemia.
No que respeita à distribuição do consumo de energia por setor de atividade, o perfil de distribuição mantêm-se muito idêntico ao verificado em 2012.

O setor dos Transportes continua a ser o principal consumidor de energia. Entre 2012 e 2022, destaca-se a diminuição do peso do consumo de energia do setor da Indústria, e um aumento no setor dos serviços (a terciarização gradual da economia poderá justificar, pelo menos em parte, esta mudança).
Estes são alguns dos indicadores do setor energético nacional que destacamos no presente artigo. Para conhecer melhor estes e outros indicadores que constam da 6.ª edição do “Energia em Números”. Aceda à publicação completa no website do Observatório da Energia.
Jorge Barata Marques,
Diretor de Formação, Informação e Educação da ADENE
ADENE – Agência para a Energia
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