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Energia eólica offshore e fotovoltaica descentralizada

Energia eólica offshore e fotovoltaica descentralizada

Qual o estado atual da implementação das tecnologias de produção de eletricidade renovável relativas à eólica offshore e à solar fotovoltaica na vertente da produção descentralizada, na ótica do seu alinhamento com as metas estabelecidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030)?

Enquanto a primeira tecnologia apresenta um nível muito baixo de implementação, a segunda encontra-se em plena expansão.

Eólica offshore

O PNEC 2030 perspetiva duas metas específicas de capacidade instalada para a produção de energia eólica em Portugal no horizonte 2030. No caso da produção onshore, prevê-se uma capacidade de 12,4 GW, que inclui a capacidade instalada para a produção de hidrogénio verde, e no que se refere à produção offshore, uma capacidade de 2 GW.

De acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), em 2024, a potência instalada onshore totalizou 6 GW, praticamente equivalente a metade do que se perspetiva para 2030. No caso da eólica offshore, encontravam-se instalados 25,2 MW, o que representa aproximadamente 1,3% da capacidade instalada total prevista para 2030.

A Figura 1 apresenta a capacidade total instalada do setor eletroprodutor nacional relativo a 2024, bem como as metas estabelecidas no PNEC para 2030, com destaque para as duas componentes eólicas.

Capacidade instalada do sistema eletroprodutor e metas para 2030
Figura 1. Capacidade instalada do sistema eletroprodutor e metas para 2030. [Fonte: DGEG, PNEC 2030].

Os valores citados no parágrafo anterior eram expectáveis, considerando a evolução muito positiva da implementação das eólicas terrestres (onshore) desde 2005 até à presente data. O contributo das eólicas para a descarbonização do sistema eletroprodutor nacional tem sido notável: em 2024, a potência total instalada eólica correspondia respetivamente, a 29% da potência total instalada de origem renovável e a 22% da potência total do sistema eletroprodutor nacional (renovável mais não renovável). No mesmo ano, produziu 14 419 GWh, o equivalente a 28% do total da produção bruta de eletricidade em Portugal.

Em termos geográficos, 89% da capacidade instalada eólica localiza-se nas regiões do centro e do norte do país.

Relativamente à eólica offshore, Portugal tem desempenhado um papel inovador, especialmente no que respeita ao desenvolvimento de turbinas flutuantes. O WindFloat 1 iniciado em 2011 permitiu comprovar a viabilidade das plataformas flutuantes e abriu caminho para o parque Windfloat Atlantic. Em 2020, pela primeira vez, foi gerada eletricidade no parque composto por três turbinas e com uma potência instalada total de 25 MW.

Devido a uma multiplicidade de fatores complexos, a implementação da eólica offshore tem sido muito difícil de concretizar. De modo a acelerar o processo de implementação, foi aprovado em 2025 o Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER).

Este Plano está alinhado com a Estratégia Industrial para as Energias Renováveis Oceânicas (EI-ERO), que estabelece um plano de ação para o desenvolvimento de uma nova fileira industrial baseada em fontes de energia renováveis (FER) offshore, reconhecida como tendo elevado potencial de exportação, criação de riqueza e de postos de trabalho.

O PAER incide exclusivamente sobre zonas marítimas adjacentes à costa ocidental do continente e pretende identificar potenciais áreas que no seu conjunto permitam instalar uma capacidade de até 9,4 GW, e criar condições para aumentar a produção num calendário mais alargado. Após a discussão pública do Plano, foi selecionada a área de instalação das turbinas, acomodando medidas de mitigação de impactes ambientais que se considerem necessárias, bem como os espaços necessários à salvaguarda dos corredores de navegação e à minimização do efeito de esteira entre parques eólicos.

O PAER está em linha com o PNEC 2030, com o objetivo de se criarem condições para a atribuição e a instalação de 2 GW por via de leilões de capacidade.

Apesar de todos os esforços de aceleração com vista ao lançamento de leilões de capacidade, estes têm sido adiados devido aos custos elevados de construção, a par de custos muito elevados para ligar os projetos à rede elétrica em terra.

As últimas informações públicas disponíveis sobre as eólicas offshore em Portugal referem que o governo está a negociar com o Luxemburgo (desde outubro de 2024, mas sem avanços até à data) o financiamento das eólicas offshore.

Numa outra frente, o governo espera ter financiamento que justifique o leilão offshore, da Comissão Europeia ou de outros estados europeus que queiram ajudar o financiamento ao nível da União Europeia. É importante referir que inicialmente 50 empresas/consórcios manifestaram o seu interesse em conhecer as condições do leilão offshore em Portugal, mas incertezas sobre o tema levaram algumas a desistir.

António Almeida
Técnico Especialista da Direção de Formação, Informação e Educação

ADENE – Agência para a Energia
Tel.: +351 214 722 800
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