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FELPT promovem sessão do Energia em Debate sobre Descarbonização da Ibéria

FELPT promovem sessão do Energia em Debate sobre Descarbonização da Ibéria

Os Future Energy Leaders Portugal (FELPT) realizaram, no dia 30 de outubro, mais uma sessão do “Energia em Debate”, desta vez dedicada ao tema “Descarbonização da Ibéria – um plano conjunto”.

O evento, que decorreu em formato online, contou com uma assistência de cerca de 200 pessoas e com as intervenções de Daniela Ribeiro da DNV, Maria João Coelho da ELECPOR, Pedro Furtado da REN, Ricardo Lucas Nunes do OMIP, bem como do Presidente da Associação Portuguesa da Energia, João Torres, no encerramento.

Esta sessão, realizada no âmbito do desenvolvimento dos White Papers dos FELPT sobre flexibilidade e integração ibérica, teve como principal foco o papel crítico do armazenamento, a urgência de modernizar e expandir as redes e a importância de constituir um mercado europeu bem interligado e regulado que garanta eficiência e segurança energética em Portugal.

O evento começou com as boas-vindas de Flávia Lima (Membro do Board do FELPT), tendo a apresentação dos temas e coordenação da sessão ficado a cargo dos membros do FELPT Cynthia Zurita Véliz e Susana Miranda da Silva.

Descarbonização: metas, desafios e armazenamento

No debate com os especialistas, conduzido por Luísa Amorim, também membro do FELPT, Ricardo Nunes, do OMIP, destacou que “a descarbonização passará pela eletrificação crescente e pela adaptação dinâmica dos mercados energéticos”, sublinhando a importância de um mercado forte e bem regulado, para garantir a segurança e independência energética. Salientou ainda quatro pilares essenciais para a transição: sustentabilidade económica, segurança de abastecimento, sustentabilidade ambiental e independência energética.

Maria João Coelho, da Elecpor, enfatizou a necessidade de triplicar a capacidade solar em Portugal, defendendo ainda a agilização dos processos de licenciamento e a modernização das redes elétricas como passos críticos. Apontou para o sistema elétrico como o motor da transição para uma economia de baixas emissões, alertando também para a urgência de aumentar as interligações com Espanha. Este ponto foi reiterado por Pedro Furtado, da REN, que sublinhou o papel essencial da rede de gás e a importância do investimento em inovação e desenvolvimento para promover a resiliência do setor.

Abordando a temática do armazenamento de energia, Pedro Furtado destacou a importância da capacidade de bombagem existente, sugerindo que o armazenamento poderá “amplificar o uso das renováveis, equilibrando os preços e gerindo as flutuações do mercado”, deixando sempre espaço para novas tecnologias emergentes, uma vez traçados horizontes temporais até 2040 ou 2050: “Em 2005 ninguém teria conseguido antecipar as tecnologias que existem hoje no mix energético”.

Desafios do MIBEL e a importância da flexibilidade

Aludindo ao 20.º aniversário do mercado ibérico de eletricidade (MIBEL), Ricardo Nunes realçou a importância da harmonização regulatória entre Portugal e Espanha e o aumento da interligação com França. “A interligação é fundamental para garantir a estabilidade do abastecimento”, afirmou, acrescentando que a flexibilidade e o armazenamento são cruciais para adaptar o sistema às exigências da transição.

Por sua vez, Daniela Ribeiro, da DNV, destacou o importante papel do consumidor, mencionando tecnologias como o Vehicle-to-Grid (V2G), que poderão transformar os consumidores em agentes ativos no sistema energético. Acrescentou que as políticas de apoio e clareza regulatória serão essenciais para que os consumidores confiem e participem ativamente na transição.

Como é já habitual, também esta sessão do “Energia em Debate” contou com uma participação ativa da audiência, que questionou os oradores sobre temas como a capacidade de armazenamento em Portugal. Os especialistas sublinharam a necessidade de integração de todas as formas de energia renováveis para responder às necessidades energéticas do país.

No final, coube ao Presidente da Associação Portuguesa de Energia (APE), encerrar o evento. Na sua intervenção, João Torres, salientou a importância de continuar este “caminho de descarbonização”, tendo reforçado que a transição energética exige execução e compromisso com metas tangíveis. Alertou ainda para a necessidade de reformas de mercado que respondam aos desafios emergentes, como os preços negativos de energia, e referiu o encerramento de centrais, como a de Sines, como símbolo de uma era de transformação no setor energético, aplaudindo as novas gerações com novas competências que serão parte ativa da transição energética.

Reveja o debate “Descarbonização da Ibéria”

FELPT – Future Energy Leaders Portugal
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