Uma investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) desenvolveu modelos matemáticos que ajudam a reduzir os erros de previsão na produção de energia elétrica renovável, contribuindo para a transição energética. Assim, este trabalho de investigação, da investigadora Carla Silva Gonçalves, é um dos 3 finalistas dos Prémios Europeus de Energia Sustentável, promovidos pela Comissão Europeia. Os vencedores da categoria “Young Energy Trailblazer” serão decididos por votação pública online, que decorre até 18 de setembro de 2022.
A investigadora desenvolveu modelos matemáticos de apoio à decisão em sistemas elétricos com forte participação de fontes de energia renovável para reduzir os erros de previsão face à variabilidade meteorológica que afeta, significativamente, a produção de energia vinda de fontes renováveis. “Apesar das energias renováveis, como a eólica ou a solar, terem muitos benefícios, há desafios que precisam de ser superados devido à sua dependência de variáveis atmosféricas“, salienta a investigadora, realçando que modelos matemáticos sofisticados são “essenciais” para construir os sistemas energéticos futuros. “As previsões são importantes para garantir o balanço entre a produção e o consumo de energia elétrica, considerando os altos níveis de integração de energia renovável na rede elétrica“, afirma.
A par da variabilidade meteorológica, a partilha de dados entre os diferentes atores do sistema elétrico e o benefício que pode ter uma gestão “mais otimizada” das centrais elétricas de base renovável foram também desafios para os quais a investigadora tentou dar resposta através de “um modelo de previsão colaborativa” e de um “mecanismo de mercado de dados que combina informações entre si e permite a sua monetização“. Estes modelos de previsão podem vir a ser “integrados em ferramentas digitais para ajudar as tomadas de decisão no sentido de aumentar a participação de fontes de energia renovável e reduzir o desperdício dessa energia“, explica a investigadora.
Este trabalho de investigação já resultou numa patente, 5 artigos em jornais especializados e 6 conferências internacionais, sendo o objetivo da investigadora “continuar a usar a matemática para melhorar a previsibilidade das energias renováveis e contribuir para as metas europeias de clima e energia“.
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