Renováveis Magazine (RM): Pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso profissional?
Juan José Arguelles (JJA): O meu percurso profissional esteve sempre ligado ao setor solar fotovoltaico, com especialização no desenvolvimento de negócios e expansão internacional de empresas líderes em tecnologia solar. Durante mais de duas décadas, tive a oportunidade de liderar equipas na Europa, América Latina e Ásia, trabalhando tanto em geração distribuída como em centrais de grande dimensão.
Antes de ingressar na Aiko Energy como Diretor-Geral de Geração Distribuída para o sul da Europa, ocupei vários cargos de liderança em fabricantes de módulos, inversores e soluções integradas para instalações solares, sempre com o foco em acrescentar valor através da inovação tecnológica e da consultoria técnica e comercial.
A minha entrada na Aiko ocorre num momento crucial: a consolidação da sua liderança na tecnologia de células solares de back contact e o seu firme compromisso com o mercado europeu. É um desafio entusiasmante fazer parte de uma empresa com um foco tão avançado em I&D e uma visão global da transição energética.
RM: Qual é a missão e a visão da AIKO para o mercado do sul da Europa?
JJA: A missão da AIKO passa por “impulsionar a transformação para uma era livre de carbono“, com foco na inovação tecnológica e no desenvolvimento de soluções solares avançadas. No sul da Europa, a empresa procura liderar a transição energética através de produtos altamente eficientes e com um design atrativo, como os seus módulos de tecnologia N-Type ABC, que receberam prémios internacionais. A AIKO estabeleceu o ambicioso objetivo de atingir 30% da quota de mercado na Europa nos próximos anos, dando prioridade à qualidade e inovação em detrimento do preço.

“Aiko destaca-se pela sua inovação constante, eficiência comprovada, expansão internacional e abordagem responsável”
RM: De que forma a AIKO se posiciona em relação aos seus concorrentes no setor solar?
JJA: A AIKO destaca-se pelo seu foco único na tecnologia back contact (ABC), que é mais eficiente, esteticamente agradável e mais durável, como a TOPCon ou a HJT. Graças a três gerações consecutivas de módulos Infinite, mantivemos o recorde mundial de eficiência de módulos (25,2%) durante mais de 25 meses consecutivos.
Além disso, estamos a expandir a nossa capacidade de produção de módulos ABC dos atuais 25 GW até 106 GW, refletindo a nossa ambição de liderança global.
O nosso compromisso com a sustentabilidade também nos diferencia: operamos com 100% de energia renovável, reduzimos a nossa pegada de carbono através de processos integrados e fomos reconhecidos com o Prémio de Transparência ESG 2024 da EUPD Research, na categoria “Excelente Classe“.
Em síntese, a Aiko destaca-se pela sua inovação constante, eficiência comprovada, expansão internacional e abordagem responsável, posicionando-se como um dos players mais promissores do setor solar.
RM: Quais são os principais objetivos da AIKO para os próximos 3 a 5 anos no sul da Europa?
JJA: O nosso principal objetivo passa por nos consolidarmos como líderes em tecnologia solar de alta eficiência em mercados-alvo como Espanha, Itália, Grécia e Portugal. Para isso precisamos de fortalecer a relação com os grandes instaladores, promotores e distribuidores, tanto em projetos de grande dimensão como em projetos residenciais e comerciais, acrescentando valor com as nossas soluções ABC Tipo N.
A curto e médio prazo, iremos expandir a nossa presença local com mais recursos técnicos e comerciais e uma rede de parceiros muito sólida. Pretendemos também liderar a transição para sistemas fotovoltaicos mais eficientes e sustentáveis, alinhados com os objetivos climáticos da região.
RM: Países como Portugal, Espanha, Grécia e Itália têm algum papel na estratégia regional da empresa?
JJA: Estes quatro países são fundamentais para a nossa estratégia para o sul da Europa devido aos seus elevados níveis de irradiação solar, às suas ambiciosas metas de descarbonização e à maturidade dos seus mercados fotovoltaicos. Espanha, Itália, Grécia e Portugal representam uma parcela significativa dos novos projetos, tanto de grande dimensão como nos segmentos residencial e comercial, o que se enquadra perfeitamente com a nossa tecnologia ABC altamente eficiente. Além disso, vemos um grande potencial nestes países para o desenvolvimento de alianças estratégicas e o estabelecimento de relações duradouras com os principais players do setor.

RM: A empresa tem planos para novas fábricas, centros de investigação ou parcerias estratégicas na região?
JJA: A AIKO continua a reforçar as suas capacidades globais com a recente inauguração da sua nova fábrica em Jinan, na China, uma referência em inovação sustentável que integra tecnologia de semicondutores, princípios da Indústria 4.0 e consumo de energia 100% renovável. Esta instalação, concebida como uma “fábrica inteligente de carbono zero“, produzirá até 30 GW de células e módulos ABC tipo N quando estiver totalmente operacional em 2029.
Embora não existam fábricas planeadas no sul da Europa, a região é fundamental para o desenvolvimento de alianças estratégicas. A AIKO procura colaborar com parceiros locais em Portugal, Espanha, Grécia e Itália para promover soluções fotovoltaicas de elevada eficiência, acelerar a transição energética e partilhar a sua expertise em inovação e sustentabilidade.
“comercialização global da terceira geração dos seus módulos INFINITE”
RM: A AIKO é conhecida por investir em I&D. Que inovações tecnológicas estão a ser desenvolvidas atualmente?
JJA: A inovação é a força motriz da AIKO. Em 2025, a empresa iniciará a comercialização global da terceira geração dos seus módulos INFINITE, que incorporam a mais avançada tecnologia ABC tipo N. Graças a um design sem intervalos entre células ou barramentos visíveis, estes módulos maximizam a recolha de luz e geram até mais 40 W de potência do que os módulos TOPCon. Também mantêm um alto desempenho em condições de sombra e destacam-se pela sua estética premium e maior durabilidade.
A AIKO abordou também um dos principais desafios da tecnologia back contact: a bifacialidade. No final de 2024, atingiu os 75%, um marco que reforça ainda mais a sua liderança em eficiência.
Juntamente com o INFINITE, a nova série NAVIGATOR representa um salto em inteligência aplicada à energia fotovoltaica. Com monitorização em tempo real e tecnologia PLC, permite a gestão individual de cada módulo, detetando falhas, reduzindo os custos operacionais e melhorando a eficiência energética até 5% ao ano. Esta solução inteligente estabelece as bases para uma nova era de manutenção preditiva e centrais solares autónomas.

RM: Como vê o futuro dos painéis solares em termos de eficiência, design e integração urbana?
JJA: A Europa está a acelerar a sua transição para um modelo energético mais sustentável e autónomo, impulsionada por políticas como o Acordo Verde, a meta da neutralidade climática até 2050 e a implantação massiva das energias renováveis. Neste contexto, a AIKO vê um enorme potencial na energia solar, especialmente nos mercados do sul, onde a radiação solar é excelente e o interesse por soluções de alta eficiência está a crescer.
O mercado europeu exige cada vez mais tecnologias que combinem desempenho, estética e sustentabilidade. Por isso, a AIKO aposta em soluções como os seus módulos ABC tipo N, com uma maior eficiência do setor e fabricados em instalações que utilizam 100% de energia renovável. A Europa será fundamental para consolidar a energia fotovoltaica como um pilar da matriz energética do futuro.
RM: A AIKO contribui para as metas de descarbonização da Europa para 2030 e 2050?
JJA: Sim, pretendemos ser um parceiro estratégico a longo prazo na transição energética do sul da Europa. Oferecemos soluções solares altamente eficientes, fiáveis e de design avançado que não só maximizam o desempenho energético, como também contribuem para um modelo mais sustentável.
O nosso compromisso com a inovação, a sustentabilidade e a excelência tecnológica permite-nos apoiar distribuidores, instaladores e investidores com produtos que fazem a diferença. Não somos apenas pioneiros, mas também promotores da tecnologia de contacto traseiro tipo N. Estamos aqui para ajudar cada projeto solar a atingir o seu potencial máximo, hoje e no futuro.
RM: De que forma a empresa garante sustentabilidade à sua cadeia de abastecimento e produção?
JJA: A AIKO integra a sustentabilidade em todas as fases da sua cadeia de valor. Operamos fábricas que consomem 100% de energia renovável, reciclamos 90% da nossa água e reutilizamos o calor residual para minimizar a nossa pegada ambiental. Além disso, selecionamos fornecedores comprometidos com práticas responsáveis e realizamos auditorias regulares para garantir a transparência e a conformidade com os elevados padrões ESG. O nosso objetivo é uma produção eficiente e de baixo carbono, que respeite os recursos naturais e apoie uma economia circular.
RM: Quais são os principais desafios que a AIKO enfrenta atualmente no mercado do sul da Europa?
JJA: O principal desafio passa pela adaptação aos rápidos desenvolvimentos regulamentares e ao aumento da concorrência, o que exige uma inovação constante e agilidade para responder às exigências específicas do mercado local. É também fundamental gerir a logística e as cadeias de abastecimento globais num contexto geopolítico complexo, mantendo a qualidade e a sustentabilidade. Por fim, é importante educar e apoiar os clientes para que tirem o máximo partido das tecnologias de back contact que, embora avançadas, exigem um conhecimento detalhado para otimizar o seu desempenho.
RM: Liderar num setor dinâmico como o das energias renováveis é um desafio. Como lidam com isso?
JJA: Numa indústria em constante mudança, a liderança mais eficaz tem de combinar a visão estratégica com a flexibilidade operacional. É essencial promover uma cultura de inovação contínua que permita antecipar tendências e adaptar-se rapidamente a novos desafios. Além disso, uma liderança inclusiva que valorize a colaboração, a diversidade e a sustentabilidade promove equipas comprometidas e resultados duradouros. A transparência e a comunicação aberta são também essenciais para construir confiança com clientes e parceiros.
RM: O que diria a um jovem profissional que procurem ingressar na área da energia limpa?
JJA: Recomendo que continuem a formação em tecnologias emergentes e aspetos relacionados com a sustentabilidade e a digitalização. A energia limpa é um setor em rápida evolução que exige curiosidade, capacidade de adaptação e vontade de inovar. É também importante desenvolver o trabalho em equipa e as competências de comunicação, uma vez que a transição energética é um esforço coletivo. Por fim, a paixão pelo impacto positivo que o seu trabalho pode ter no planeta será a força motriz por detrás do seu crescimento e do seu contributo de valor.
Por Helena Paulino
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