conferência anual da APREN 2021

Conferência anual da APREN: divulgadas novidades sobre o Sistema Elétrico Nacional

O Evento Portugal Renewable Energy Summit 2021 decorreu a 9 e 10 de novembro em formato híbrido e juntou 50 especialistas nacionais e internacionais e cerca de  550 participantes. As gravações e as apresentações do certame estão já disponíveis no site da APREN.

O Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, abriu o segundo dia da conferência anual da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, que decorreu a 9 e 10 de novembro, em Lisboa, com novidades sobre as alterações que se preveem na organização e funcionamento do Sistema Elétrico Nacional (SEN). Os consumidores poderão passar a desempenhar um papel mais ativo no SEN, produzindo eletricidade para autoconsumo, individualmente, ou associando-se a comunidades de energia, vendendo excedentes, armazenando ou oferendo serviços de flexibilidade.

João Galamba anunciava assim parte do conteúdo do Projeto de Decreto-Lei que entrou em consulta pública nessa mesma quinta-feira, 10 de novembro, antecipando grandes mudanças no setor. O Decreto-Lei estabelece a obrigação de disponibilização de contratos de fornecimento a preços dinâmicos, permitindo ajustar o perfil do consumo ao preço diferenciado entre períodos horários, promovendo o fornecimento de serviços de flexibilidade. Está ainda prevista a partilha dinâmica que permite, com eficiência, otimizar os fluxos de eletricidade entre os autoconsumidores que atuam coletivamente, incentivando o surgimento de novas áreas de prestação de serviços. O Decreto-Lei prevê ainda a instalação de contadores e redes inteligentes e assegura, através da criação da figura do agregador, a eliminação das barreiras à participação nos mercados de eletricidade. A nova legislação transpõe a diretiva europeia do mercado interno da eletricidade para o sistema jurídico nacional e, parcialmente, a diretiva relativa à promoção da utilização de energia de fontes renováveis. João Galamba realçou ainda o efeito positivo da produção de eletricidade através de fontes renováveis no preço do mercado grossista de eletricidade. “O tantas vezes criticado sobrecusto da Produção em Regime Especial [PRE] deixou de o ser, justamente devido à escalada de preços dos combustíveis fósseis, sobretudo do gás natural. Este ano, o sobrecusto da PRE funcionará como um amortecedor para o sistema, um sobre ganho, face à subida de preços generalizada nos mercados spot de eletricidade europeus à qual o MIBEL não escapa”, vincou.

50 especialistas a falar sobre renováveis | conferência anual da APREN

Portugal Renewable Energy Summit 2021 decorreu em formato híbrido a partir do auditório da Culturgest, em Lisboa. Durante dois dias mais de 50 especialistas abordaram as temáticas relacionadas com as energias renováveis enquanto “motor da recuperação económica” – tema da edição deste ano. O evento decorreu em formato híbrido. O auditório da Culturgest recebeu mais de 300 participantes ao longo dos dois dias, mas a conferência foi também acompanhada remotamente por mais de 250 pessoas. No arranque do evento, que coincidiu com a COP 26, o CEO da APREN, Pedro Amaral Jorge, lamentou que China e Índia tenham falhado ao compromisso da neutralidade climática em 2050 colocando esse objetivo em 2060 e 2070. “A Europa por sua vez está a reforçar as metas, as medidas e as políticas para alcançar a neutralidade climática em 2050, tendo constituído o mais importante marco de políticas – o Fit for 55 – como a ferramenta chave para levar a cabo a implementação do European Green Deal”, sublinhou Pedro Amaral Jorge.

Fit for 55 – a nova ambição europeia foi também o tema em cima da mesa no primeiro painel. A Comissária Europeia para a Energia, Kadri Simson, deu o mote inicial para a discussão sobre a temática: “é preciso caminhar rumo às renováveis deixando para trás os combustíveis fósseis”. Seguiu-se o debate com os cinco eurodeputados: Graça Carvalho (PSD), Carlos Zorrinho (PS), Marisa Matias (BE), Nuno Melo (CDS-PP) e Sandra Pereira (PCP). Para Carlos Zorrinho é preciso um “golpe de asa” que permita cumprir esta ambição europeia. Para isso é preciso envolver os cidadãos, concordou Graça Carvalho. Na ótica de Marisa Matias importa, antes de mais, travar o financiamento aos combustíveis fósseis. Sandra Pereira destaca este momento como uma oportunidade para a re-industrialização. Uma posição mais cética foi assumida por Nuno Melo que considera que Portugal pode ser prejudicada com esta estratégia.

“O novo enquadramento das renováveis será suficiente para o cumprimento das metas?” Esta pergunta serviu de ponto de partida para o segundo painel. Paula Pinho (Direção-Geral da Energia – Comissão Europeia) e Alejandro Donnay (State Aid Energy – Comissão Europeia) asseguraram o enquadramento apontando o hidrogénio como alternativa para os casos em que a eletrificação direta não é possível. O debate prosseguiu com a participação de Giles Dickson (CEO da WindEurope), Walburga Hemetsberger (CEO da Solar Power Europe), Patrick Clerens (Secretário-Geral da EASE), Jorgo Chatzimarkakis (Secretário-Geral da Hydrogen Europe), Remi Gruet (CEO da Ocean’s Energy), Jean-Marc Jossart (Secretário-Geral da Bioenergy Europe) e Dirk Hendricks (EREF). Cada um dos dirigentes das associações europeias deixou os alertas respetivos em linha com os desafios que enfrentam as fontes renováveis que representam. Se Giles Dickson apontou o dedo à morosidade do licenciamento, Walburga Hemetsberger preferiu falar do potencial que existe em cada telhado para a expansão do solar.  

A evolução do preço da eletricidade no mercado ibérico” foi o tema abordado por Frederico de la Hoz (membro da direção da UNEF), Juan Virgílio Márquez (Diretor-Geral da AEE) e José María González Moya (CEO da APPA). Momentos antes, Ignácio Cobo (Principal Consultant da consultora AFRY) e Laureano Alvarez (Partner da Monitor Deloitte), abordaram a temática da volatilidade dos preços que passou a ser “o novo normal”. No segundo dia da conferência o foco incidiu sobre a realidade portuguesa. Após a sessão de abertura, a cargo do Secretário de Estado Adjunto e da Energia, seguiu-se o debate sobre a Simplificação do licenciamento de projetos renováveis” com Nuno Lacasta (presidente da APA), Nuno Banza (presidente do ICNF), Maria José Espírito Santo (Sub-Diretora da DGEG) e Pedro Amaral Jorge (CEO da APREN). Logo depois abriu-se “o caminho para 2,5 GW de Hidrogénio Verde”. Depois de uma apresentação de Christian Pho Duc (CTO e Managing Director H2 Projects da SmartEnergy) foi a vez de Ana Barillas (Head of Iberia da Aurora Energy Research) abordar o tema apresentar números que evidenciam as vantagens da tecnologia. O debate contou com Sérgio Goulart Machado (Head of Hydrogen da Galp Energia), Ana Quelhas (Diretora de Hidrogénio da EDP Renováveis), João Cunha (COO e Deputy CEO da Smartenergy), Luís Delgado (Membro do Conselho de Administração e Comissão Executiva da Bondalti) e Nuno Moreira (CEO da Dourogás).

O debate sobre “o autoconsumo, as comunidades de energia e a eficiência energética” teve a participação de Nelson Lage (presidente da Adene), Carlos Sampaio (COO da Elergone), Alexandre Cruz (Coordenador dos Serviços de Energia da Tecneira), Jorge Esteves (Diretor de Infraestruturas e Redes da ERSE) e Filipe Pinto (Diretor de Serviços da DGEG) e abriu algumas perspetivas sobre o potencial destes formatos e as barreiras que ainda existem. A “estratégia de redes, flexibilidade de consumo e armazenamento” foi aprofundada por Peças Lopes (Professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – FEUP) e João Coelho (Analista da Delta EE). O debate contou com a participação de Mário Paulo (Presidente do Conselho Consultivo da ERSE), José Ferrari Careto (Presidente da E-Redes) e João Conceição (Membro do Conselho de Administração da REN) e João Bernardo (Diretor Geral da DGEG). 

As respostas do painel sobre “como impulsionar o aumento de potência renovável em Portugal? chegaram através de Álvaro Brandão Pinto (Administrador Delegado da Generg), Duarte Bello (Executive Board Member, Managment Team Member e COO Europe & BRazil da EDP Renováveis), João Manso Neto (presidente executivo da Greenvolt), José Grácio (presidente executivo da Trustwind) e Pedro Norton (presidente executivo da Finerge).

Durante a conferência anual da APREN teve ainda lugar a cerimónia de atribuição do Prémio APREN 2021 – uma iniciativa que visa divulgar dissertações académicas de mestrado relacionadas com eletricidade de origem renovável – que atribuiu o primeiro prémio ao trabalho desenvolvido por Francisco Fernandes, mestre em engenharia eletrotécnica e de computadores da FEUP, que arrecadou o primeiro prémio.

Para consultar as apresentações: https://www.apren.pt/pt/pres2021–apresentacoes

Dia 1 – conferência anual da APREN

Dia 2 – conferência anual da APREN

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