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O auge das energias renováveis e as novas exigências tecnológicas

O auge das energias renováveis e as novas exigências tecnológicas

A transição energética em Portugal vive um momento decisivo. O país tem vindo a aumentar de forma consistente a energia produzida a partir de fontes renováveis – sobretudo hídrica e eólica, mas também solar fotovoltaica -, que já representa uma parcela dominante do sistema elétrico nacional.

O desafio deixou de ser apenas aumentar a potência instalada, passando agora pela integração eficiente dessa energia num sistema mais digital, flexível e fiável.

Diversos relatórios do setor alertam que os atuais estrangulamentos da rede elétrica, bem como o facto de as redes de transmissão e distribuição não estarem a acompanhar o ritmo de crescimento necessário, podem tornar-se entraves críticos à transição energética e digital. Segundo o estudo ‘Market Outlook Data Centers Portugal 2025, da Portugal DC, prevê-se que a procura elétrica combinada dos novos setores emergentes, como os de Data Centers, hidrogénio verde e mobilidade elétrica, venha a atingir 8.5 TWh/ano até 2031. Atualmente, a Península Ibérica concentra mais de 18 GW de projetos de Data Centers em desenvolvimento – incluindo projetos em Portugal, como o DC da Start Campus em Sines, com até 1,2 GW de capacidade elétrica prevista. A transição energética enfrenta, assim, um novo desafio impulsionado pelo crescimento da procura elétrica resultante da eletrificação da economia.

No contexto recente, é evidente que a infraestrutura de distribuição elétrica está sob grande pressão. Episódios como o de abril de 2025 – em que uma perturbação no sistema elétrico ibérico originou um apagão que afetou Espanha e Portugal – demonstram a urgência de reforçar os mecanismos de controlo, gestão de tensão e capacidade de armazenamento, essencial para garantir resiliência e continuidade de serviço. Tal como noutros países europeus, o grande desafio não reside na expansão da geração renovável, mas sobretudo na integração dessas energias num sistema elétrico mais digital, resiliente e flexível. É fundamental garantir flexibilidade para aproveitar cada kilowatt-hora verde disponível, assegurando simultaneamente segurança, fiabilidade e o nível de serviço a que Portugal está habituado.

energias renováveis e a rede elétrica

Portugal apresenta vantagens estruturais relevantes: excelentes recursos solares e eólicos e uma base renovável sólida. No entanto, o desafio passa agora por transformar este potencial em energia útil, competitiva e estável – o que exige modernização da rede, reforço das interligações e o investimento contínuo em armazenamento. A expansão acelerada deve dar lugar a uma fase de integração eficiente, sustentada por redes inteligentes e tecnologia digital.

Uma análise recente da Energy Transitions Commission (2025) confirma que sistemas elétricos com elevada penetração de renováveis podem ser fiáveis e economicamente vantajosos a longo prazo, desde que sustentados em investimentos estratégicos em rede, armazenamento e flexibilidade. Portugal tem condições favoráveis para avançar nesta segunda fase da transição, mas ainda enfrenta alguns desafios: em 2025, o ritmo de instalação solar caiu 21%, e a produção eólica permanece aquém das metas estabelecidas. É urgente ultrapassar os estrangulamentos atuais e intensificar o investimento nas tecnologias certas, de modo a transformar limitações estruturais em competitividade energética.

Alavancas para um sistema renovável competitivo

Na Schneider Electric colocamos a integração eficiente no centro da nossa estratégia. A nossa primeira alavanca é a gestão digital avançada, que permite monitorizar a rede em tempo real, antecipar congestionamentos, reduzir perdas e maximizar a utilização de cada kW renovável. A segunda consiste na automação das redes de média e baixa tensão, que é essencial para isolar falhas, reconfigurar topologias, agilizar a reposição de serviço e ativar a resposta da procura em edifícios, indústrias e Data Centers – fornecendo ao sistema a flexibilidade necessária. A terceira é o controlo de tensão com eletrónica de potência e inversores grid-forming, fundamental para garantir estabilidade, mesmo em cenários de elevada variabilidade de geração renovável.

Aroa Ruzo
Country Manager Portugal

Schneider Electric Portugal
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