o papel dos SIG no aproveitamento
da energia solar

Como é sabido, o Sol é uma fonte de energia renovável, o que significa que é um recurso natural que se renova constantemente, sendo que Portugal é um dos países da Europa com melhores condições para aproveitamento deste recurso, pelo número médio anual de horas de Sol que tem.

Como é sabido, o Sol é uma fonte de energia renovável, o que significa que é um recurso natural que se renova constantemente, sendo que Portugal é um dos países da Europa com melhores condições para aproveitamento deste recurso, pelo número médio anual de horas de Sol que tem.
No entanto, apesar desta condição favorável, penso que o Sol tem sido mal aproveitado no nosso país, no caso particular das unidades de pequena produção. E quando falo em aproveitar este recurso, estou a pensar na instalação de painéis solares, os quais necessitam obviamente de espaço. Temos o exemplo das autoestradas, com amplas áreas desmatadas que, caso fosse concedido o devido direito de utilização, podiam ser aproveitadas para gerar energia. Outro exemplo é a utilização de áreas de telhados planos,
em edifícios administrativos.
Devia pensar-se seriamente na forma como se poderão reverter estes espaços, para serem explorados para aproveitamento de energia solar.
Mas, antes de mais, há todo um trabalho a ser feito com o intuito de identificar devidamente esses espaços e é neste âmbito que os SIG aparecem. Não só neste processo de identificação dos locais (em termos da localização), mas também na qualificação da sua adequabilidade para efetivamente produzirem energia solar (tendo em consideração o declive, a orientação e a sua exposição solar), perceber se o solo é adequado e, por último, para fazer o dimensionamento do empreendimento solar propriamente dito (número de painéis solares, infra estruturas necessárias, proximidade em termos da rede para fazer ligações para injeção dessa energia, etc.).
Ou seja, neste longo processo até à instalação dos painéis solares, os SIG podem realmente desempenhar um papel crucial na localização dos terrenos; saber se comportam a sua utilização; na análise sobre o potencial da produção de energia solar e, ainda, na avaliação das condições para se ligar à rede (análise mais económica e financeira). Após esta fase, ficamos com um estudo global pela entidade de aproveitamento desses espaços para então transformar um custo em algo que dá rentabilidade.

A propósito disto, deparei-me recentemente com um exemplo que me chamou a atenção, da organização The Ray (https://theray.org/).
De forma resumida, The Ray é uma organização norte americana, que pretende promover tecnologias orientadas à sustentabilidade de infraestruturas de transporte, focando o objetivo de zero mortes, zero resíduos e zero carbono, o que em si mesmo é de uma ambição enorme. E esta organização tem um projeto particular que me cativou: potenciar os espaços canal e áreas de suporte aos espaços canal, das infraestruturas de transporte, para a promoção de projetos de produção de energia renovável solar. Sintetizando, The Ray utilizou a inteligência que as ferramentas de sistemas de informação geoespacial conferem, para desenvolver um mapa onde identifica locais, dentro de áreas de administração das entidades parceiras que fazem a gestão de infraestruturas de transporte dos EUA, que configuram as melhores localizações para a instalação de parques fotovoltaicos. E, na verdade, achei muito interessante o racional que vende este projeto: espaço não aproveitado, que comporta um custo de manutenção, pode ser utilizado para gerar valor para a entidade.


Este é só um exemplo entre muitos outros, onde de facto se basearam numa análise espacial e depois na tecnologia, para avançar com um projeto com cerca de mil painéis solares ao aproveitar um terreno próximo de uma autoestrada. O título da apresentação: The Ray at IMGIS Live on You- Tube, é acessível publicamente, por isso desafio-vos a ver. Apesar de alguns possíveis entraves e toda a burocracia inerente, diria que este é um projeto replicável em Portugal. Na minha perspetiva, municípios e agências de energia, entidades gestoras de parques empresariais, empresas que atendendo ao seu património, distribuição da sua operação no território e utilização presente do espaço, como as utilities, seriam potenciais interessados, que poderão avaliar um processo de reconversão de património, reduzindo as emissões de carbono, aproveitando o sol e transformando assim custos em receitas!

Tiago Rio de Carvalho
Sector Lead, Esri Portugal

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