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novas cadeias de valor para a reindustrialização sustentável de Portugal

Novas cadeias de valor para a reindustrialização sustentável de Portugal

Portugal atravessa um momento decisivo para a sua política energética, territorial e industrial.

A necessidade de reforçar a segurança de abastecimento, acelerar a descarbonização e revitalizar os territórios do interior exige soluções integradas, técnicas, administrativas e, sobretudo, políticas. O Centro da Biomassa para a Energia (CBE) propõe-se contribuir para esse caminho através de uma visão estratégica que liga floresta, energia e reindustrialização.

Um recurso nacional por valorizar

A biomassa florestal residual continua subaproveitada em Portugal. Sobrantes de limpezas, matos, invasoras e restos de operações silvícolas acumulam-se sem destino estruturado, tornando-se combustível para futuros incêndios florestais. Esta realidade contrasta com o potencial da biomassa enquanto recurso energético renovável, firme e despachável, com papel crítico na prevenção de fogos, na segurança do sistema elétrico e na criação de emprego local.

Bioenergia e prevenção de incêndios: o atraso que custa caro

Desde 2006, sucessivos governos anunciam a constituição de uma rede de centrais de biomassa sem conseguirem concretizá-la, e não é por falta de investidores interessados. A falta de articulação entre as políticas florestais, da energia, do ambiente e do desenvolvimento industrial e territorial, são as principais responsáveis por este sucessivo adiamento. Em 2006, ano em que foram lançados concursos para injeção na rede de 100 MW de centrais termelétricas a biomassa, a potência instalada era de 381 MW (incluindo 357 MW de cogeração em unidades da industria da fileira florestal), muito superior (quase 50 vezes) à capacidade do solar fotovoltaico que era apenas de 8,2 MW. Atualmente, a situação inverteu-se totalmente. A capacidade instalada de centrais a biomassa é de 684 MW (incluindo 457 MW de cogeração), enquanto a capacidade associada ao solar PV é de 5987 MW[1], quase dez vezes mais do que a biomassa. Isto diz quase tudo sobre a forma como temos tratado deste recurso endógeno que é a biomassa.

O recente interesse de relançar o programa de apoio a novas centrais de biomassa, associadas a tecnologias de sequestro de carbono e a sistemas de conversão térmica acoplados a armazenamento térmico de alta temperatura, entre outros sistemas de elevado rendimento, numa lógica de atribuição de custos para os consumidores e, simultaneamente, de afetação real às várias funções que esta valorização promove, é mais um sinal positivo e na direção certa. Não avançar com esta iniciativa só poderá contribuir para aumentar o risco acrescido para a floresta e para o sistema elétrico, como ficou patente nos incêndios florestais de 2017 e seguintes e no apagão de abril de 2025.

Cadeias de valor circulares e reindustrialização verde

A floresta portuguesa pode ser muito mais do que madeira. A transição para uma bioeconomia de base territorial permite desenvolver novas cadeias de valor: biocombustíveis, pellets e briquetes fabricados a partir de espécies florestais invasoras, bioplásticos, materiais de construção, químicos verdes, biotecnologia. O CBE está a apoiar estas transformações com investigação aplicada, certificação, projetos-piloto e propostas de novas ferramentas de política pública.


[1] Fonte: Estatísticas Rápidas das Renováveis, DGEG, Abril de 2025.

João Bernardo
Presidente do Conselho de Administração

CBE – Centro da Biomassa para a Energia
Tel.: +351 239 532 436
geral@centrodabiomassa.pt · www.centrodabiomassa.pt

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