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PV&BESS Utility Experience Day da Sungrow

Sungrow quer crescer no mercado ibérico

A Sungrow reuniu em Lisboa profissionais do sector solar fotoelétrico para um evento técnico de partilha de soluções desenhadas para sistemas de armazenamento de energia em grande escala. Foi também a oportunidade para a empresa exibir o seu músculo tecnológico e um interesse que se reflete no reforço da estrutura ibérica que já conta com cerca de uma centena de colaboradores.

Engenheiros, promotores, projetistas e outros profissionais ligados à gestão técnica de geração e armazenamento de energia solar presentes no PV&BESS Utility Experience Day Portugal puderam conhecer em maior detalhe as soluções da Sungrow para o segmento de sistemas de armazenamento de energia de grande escala, abarcando uma visão integrada das diversas componentes e configurações tecnológicas dos modernos sistemas BESS (Battery Energy Storage System).

O evento acolheu mais de cem convidados e realizou-se no dia 14 de abril no Altis Belém Hotel & Spa, em Lisboa, num cenário privilegiado à beira rio, com vista direta para a Ponte Sobre o Tejo e a histórica Torre de Belém.

Da agenda focada na tecnologia e na partilha de experiência constavam abordagens relacionadas com a integração de sistemas PV e BESS à escala industrial, soluções DC-coupled e arquiteturas avançadas de sistema, estratégias de otimização operacional e controlo, oportunidades de monetização, novas fontes de receita e apresentação de casos reais e insights práticos do setor.

A intenção do fabricante asiático de soluções de energia era proporcionar uma visão alargada de como a combinação de inversores fotovoltaicos e os chamados sistemas de armazenamento nas configurações AC (Corrente Alternada) e DC (Corrente Contínua) pode maximizar o desempenho e a rentabilidade em centrais solares de grande escala.

As sessões técnicas tiveram início com apresentações de Vítor Ribeiro, gestor de produto no segmento Utility Scale da Sungrow Portugal, e Federico Feuchter, responsável de produto para o sul da Europa de PV Utility.

Sob o tema “Inversores Sungrow String e Inversores centrais: a chave para projetos de grande escala em Portugal”, Vítor Ribeiro falou das soluções 5A desenvolvidas para centrais solares, aptas para garantir estabilidade e eficiência elétrica em todo o ciclo de produção e armazenamento de energia. O orador explicou a integração dos diversos equipamentos disponíveis no portefólio da Sungrow e a sua integração sistémica neste segmento Utility em particular, salientando a sua adaptabilidade a todos os cenários geográficos, configurações técnicas diversificadas, critérios de eficiência, segurança elétrica e manutenção.

Vítor Ribeiro
Vítor Ribeiro

Vítor Ribeiro descreveu, também, os aspetos técnicos da linha de inversores modulares 1+X, uma família de equipamentos que permite somar potência acrescentando unidades, e referiu, igualmente, as soluções de inversores string da Sungrow, em particular o SG350HX-20, apresentado o ano passado, com melhorias ao nível da deteção térmica, limpeza automática de poeiras, menor perda de energia, proteção ativa DC e sensorização de temperatura.

Federico Feuchter justificou a opção da marca em manter ainda em linha o inversor 1+ 1.1 apesar de a Sungrow já ter desenvolvido uma versão ulterior, o 1+X 2.0.

“Considerando que a fotovoltaica se desenvolverá a partir de agora num contexto de acoplamento de armazenamento com baterias, a Sungrow considera que o novo produto ainda não se ajusta às atuais necessidades do mercado europeu, estando prevista a sua introdução em 2027/28”, explicou Federico Feuchter.  

Marcelo Pereira, CEO da Value Element, empresa de serviços de desenho técnico, geotecnia, engenharia civil e projetos de infraestruturas elétricas, falou sobre a atual realidade fotovoltaica e de armazenamento de energia, elencando vantagens e oportunidades da eletrificação.

“Portugal foi rápido a aproveitar as possibilidades da transição energética, atingindo um assinalável grau de maturação tecnológica. Porém, a rede elétrica não se desenvolveu à mesma velocidade. Entretanto, permaneceram entraves tais como a burocracia, os licenciamentos, as questões ambientais ou a servidão dos terrenos”, referiu o orador convidado, considerando que “há necessidade de integração eficiente das Renováveis no sistema, pois já não chega dispor de tecnologia avançada, é preciso integrar e gerir de forma eficiente.”


Marcelo Pereira, CEO da Value Element
Marcelo Pereira, CEO da Value Element

“O futuro do mercado energético recomenda uma visão de longo prazo, integrando produção, armazenamento, ativos e rede para obter maior eficiência, apostando na digitalização e na monitorização em tempo real e em estratégias que privilegiem o planeamento e a colaboração entre promotores, operadores e entidades públicas”, acrescentou Marcelo Pereira.

Iñigo Cayetano, Senior Product Manager ESS & Team Lead da Sungrow partilhou aspetos fundamentais das soluções de armazenamento em larga escala, em termos de rentabilidade económica, segurança e fiabilidade dos sistemas Sungrow, com particular destaque para a “estrela da companhia”, a série PowerTitan, com níveis de segurança reforçada, alta capacidade de descarga e adaptável a ambientes climáticos severos.

“Soluções de Acoplamento-DC: onde, quando como e porquê” foi o tema escolhido por Glen Sochackyj, Senior Product Manager PV Iberia da Sungrow. O orador descreveu os contextos ideais para o recurso a esta configuração de sistema que integra diretamente os painéis solares e as baterias na mesma rede de Corrente Contínua (DC) sem necessidade de a converter previamente em Corrente Alternada (AC), aumentando a eficiência e reduzindo as perdas de energia.

A lista de benefícios é extensa: “maior eficiência, evitando as perdas resultantes da dupla conversão nas configurações com acoplamento AC, menos custos uma vez que é partilhado o inversor para PV e baterias, dispensando inversores independentes no caso de acoplamento AC, maior quantidade de energia capturada, arquitetura mais simples com menos componentes e menos equipamentos, ideal para projetos de terreno.”

Como não há mundos perfeitos, o acoplamento-DC não permite o carregamento a partir da rede, opção necessária para assegurar carga nas horas de baixa exposição solar, e é dificilmente adaptável aos chamados projetos de “Retrofit”, quando há renovação em instalações que utilizavam outra configuração.

Eurico Correia, BESS Business Development and PV na Galp, centrou a sua intervenção nas “Lições aprendidas de um caso prático de armazenamento de energia”, no caso, o cluster de quatro centrais fotovoltaicas da empresa instaladas em Alcoutim, distrito de Faro.  

“Um forte contrato, claro e detalhado, precedido de discussões atempadas sobre todos os assuntos facilita a execução do projeto e evita surpresas; definições de engenharia atempadas em atmosfera colaborativa entre equipas é essencial para evitar problemas futuros; a previsibilidade no fornecimento e entrega de componentes e peças deve ser acautelada; um sistema de controlo que tenha início o mais cedo possível com equipas dedicadas; A fase de fornecimento de materiais e construção é o período mais complexo da obra, como tal  deve garantir-se a disponibilidade atempada do local para evitar atrasos na entrega; a segurança é essencial e aconselha uma intensa articulação com as autoridades locais, bombeiros e Proteção Civil, mostrando o que se está a fazer e como atuar em caso de sinistro”, explicou o orador.

O PV&BESS Utility Experience Day Portugal terminou com um breve resumo dos trabalhos a cargo de Iker Labiano, Head of ESS Spain & Portugal na Sungrow Europe.

“Comecei a visitar Portugal há 18 anos quando ingressei na Sungrow e a estratégia nessa altura era vender aqui desde Espanha. Éramos, então, 10 pessoas, e não tínhamos intenção de agregar muitas mais. Agora já somos 100. Quando começámos a vir a Portugal, percebemos que o país tinha o seu carácter, a sua personalidade e era necessário ter gente que conhecesse o mercado, os clientes e a forma de trabalhar. Desde então construímos uma presença sólida no país, abrimos instalações em Matosinhos e em dois meses vamos constituir a Sungrow Portugal”, referiu Iker Labiano.

Texto e fotos por Carlos Saraiva


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