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Triângulo do repowering, hibridizacao e armazenamento nas renováveis

Triângulo do repowering, hibridização e armazenamento – nova era das renováveis em Portugal

Portugal atravessa um momento desafiante da sua história energética, marcado por um paradoxo que ameaça a viabilidade dos novos investimentos em renováveis: nunca existiram metas tão ambiciosas como no atual PNEC 2030 (que aponta para os 42,8 GW de capacidade renovável total), mas nunca foi, também, tão complexo e arriscado, financeiramente, conectar novos ativos à rede.

A era da expansão extensiva, baseada na ocupação de novos terrenos para construção de centrais deu lugar a uma necessidade da eficiência imposta por dois fatores incontornáveis: a saturação física da rede e a extrema volatilidade do mercado ibérico. No cenário de escassez de ligação à rede, o crescimento das renováveis em solo nacional terá de ser, obrigatoriamente, um crescimento alicerçado numa simbiose técnica entre o repowering, a hibridização e, inevitavelmente, os sistemas de armazenamento por baterias (BESS).

O ponto de partida desta transformação reside na obsolescência tecnológica do parque gerador pioneiro português. Existem, hoje, centenas de megawatt em ativos eólicos e solares instalados nos locais de maior recurso natural do país, que operam com tecnologias das décadas passadas. Estes gigantes, alguns em fim de vida, apresentam um custo nivelado de energia (LCOE), que já não compete com tecnologias mais atuais, com curvas de potência muito mais eficientes.

O repowering destes ativos não é apenas uma renovação tecnológica, mas antes uma valorização estratégica da infraestrutura e otimização sustentável do uso do território. Ao concentrar a potência em menos unidades geradoras, muito mais potentes, com footprints muito mais otimizados, não só é possível reduzir a pegada territorial e o impacto ambiental, como é também possível libertar uma janela de oportunidade técnica nas subestações existentes. Contudo, muitos promotores têm olhado para esta possibilidade de obtenção de capacidade apenas como um upgrade de potência, devendo esse espaço ser visto como o alicerce necessário também para a hibridização.

A hibridização surge, deste modo, como a única resposta pragmática à paralisia imposta pela falta de novos pontos de conexão à rede. Se a construção de nova infraestrutura de transporte é um processo moroso e de elevado custo social e ambiental, a solução passa por maximizar o fator de utilização dos ativos de rede já licenciados. Em Portugal, a complementaridade meteorológica entre o vento e o sol é quase matemática: enquanto o recurso eólico domina as noites e os períodos de instabilidade invernal, o solar atinge o seu máximo nas tardes de verão.

Ao injetar-se energia fotovoltaica num ponto de ligação eólico já existente, torna-se possível elevar o fator de utilização daquela infraestrutura de uns tímidos 25-28% para patamares acima dos 50%. O valor estratégico desta simbiose reside no facto de esta otimização ser feita sem exigir um aumento da potência de ligação ou nova infraestrutura de transporte, contornando, assim, as dificuldades de licenciamento, maximizando a capacidade de receção na rede.

Ariana Figueiredo Martins
Future Energy Leaders Portugal (FELPT)

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